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Luiz Pacheco relembrado nas Caldas, onde viveu, na celebração do centenário

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Luiz Pacheco relembrado nas Caldas, onde viveu, na celebração do centenário
Foram relembradas memórias da vida do escritor nas Caldas, no Central

Turismo recebe exposição itinerante e Central acolheu tertúlia onde se recordou a vida do escritor nas Caldas nos anos 60

Abriu ao público, a 8 de janeiro, a mostra “Luiz Pacheco passeia por todo o país (1925-2025)” e ainda nesse dia ao serão decorreu a Tertúlia “Maravilhas & Maravalhas das ‘Caldas Sur-Merdre’ nos ‘cemzes’ de Luiz Pacheco” e que lotou o Café Central.

Com curadoria de Rui Sousa, Sofia Carvalho e de Ana da Silva, “Luiz Pacheco passeia por todo o país (1925-2025)” é uma mostra itinerante que assinala o centenário o nascimento do escritor, e que se celebrou em 2025.

“Caldas é uma das cidades referência do mapa afetivo e cultural de Luiz Pacheco”, disse o organizador Rui Sousa, acrescentando que foi nesta cidade que o escritor “escreveu alguns dos seus textos mais importantes como o Caso das Criancinhas Desparecidas ”.

Pacheco viveu nas Caldas entre o final de dezembro de 1964 até agosto de 1968 e chegou a estar preso. “Foi nas Caldas que teve conhecimento dos vários processos que tinha em tribunal”, disse o investigador na abertura da exposição. É também nas Caldas que Pacheco mergulha num alcoolismo persistente, “quando desaba pois os filhos são dados para famílias de acolhimento”. Segundo Rui Sousa, já com dois ou três anos Luiz Pacheco “vinha para as Caldas com o pai para fazer termas”.

Nas Caldas o escritor viveu uma etapa muito importante da sua vida e deixou amigos e memórias em várias pessoas. “Apesar das dificuldades há um lado profundamente humano de Pacheco e só assim se explica o facto de haver memórias tão vivas do autor nas Caldas, Setúbal,Braga, Sertã e Santarém”, contaram os organizadores da mostra itinerante que foi inaugurada em Palmela.

A investigadora Ana Silva sublinhou que Luiz Pacheco foi um grande escritor, inigualável nos exercícios de estilos e nos textos curtos. “Sentava-se na Praça da Fruta e escrevia as cartas e os requerimentos que os caldenses precisavam”, contou a docente que estudou o escritor. Considera-o “mentor e mestre, pois foi com ele que aprendi a ler, a escrever e a criticar”.

A partir das Caldas, a exposição passará por várias localidades do país como Amarante, Sertã, Évora ou Santarém e também há a intenção de expandir internacionalmente.

“Caldas está grata pelo trabalho feito sobre Luiz Pacheco. Esta mostra enriquece a cena cultural da cidade”, disse a vereadora da Cultura, Conceição Henriques.

Já na tertúlia que decorreu no serão, com o Café Central lotado, houve partilha de histórias e também de leituras encenadas de vários textos de Luiz Pacheco.

“Pacheco não fica a dever nada aos intelectuais do seu tempo”, foi dito na conversa, coordenada pelos organizadores da exposição. Referiu-se também a amizade que uniu Pacheco e Ferreira da Silva e que muito conviveram no Ferro Velho. Dizia até que aquele espaço de convívio “era o verdadeiro museu Ferreira da Silva”. Foi dito também que o artista plástico passou a usar palavras de Pacheco, passando a chamar “manos e maníssimos” aos seus amigos caldenses.

Pedro Maldonado fez questão de partilhar que o escritor foi apoiado pela sua família enquanto viveu nas Caldas. E ainda referiu que o escritor – “nunca perdeu a sua liberdade e a sua autonomia, algo que era prezado pela nossa família”.

Presente na sessão esteve Paulo Pacheco, filho do escritor que guarda memórias difusas do tempo em que viveram nas Caldas , sobretudo da época em que viveram no Casal da Rochida.

“Mesmo quando vivi com o meu pai em Massamá, entre 1969 e 1976, vínhamos às Caldas com frequência vender livros ou buscar dinheiro”. À Gazeta das Caldas, Paulo Pacheco recordou que numa dessas vindas, o seu pai se esqueceu dele. Assim, aos oito anos, Paulo Pacheco foi esquecido pelo pai nas Caldas e ficou durante uma semana, sozinho num dos hotéis da cidade. “Foi ótimo e até fiz amigos, mas podia ter corrido mal…”, contou. Paulo Pacheco gostou das iniciativas em volta da vida e obra do seu pai que decorreram nas Caldas.

E o facto da exposição – que vai agora seguir em itinerância – ter sido feita no mesmo local onde um dia o seu pai esteve preso é curioso. “Ele iria achar piada!”, rematou.

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