David Vieira
Técnico de Comunicação
Vivemos num tempo em que a informação chega de todos os lados. Mas, entre tanto ruído, o essencial corre o risco de se perder. Saber distinguir o que é verdadeiro, perceber a intenção de quem comunica e reconhecer o valor das fontes são competências fundamentais para viver em Democracia. A isto chama-se literacia mediática e é, hoje, na minha opinião, uma urgência.
A literacia mediática não é apenas saber usar os meios. É compreender como funcionam, quem os produz e com que objetivos. É perceber que cada notícia resulta de escolhas, ou seja, do que se publica, do que se omite, da forma como se escreve. É a consciência de que a informação nunca é neutra e que, por isso mesmo, deve ser analisada, discutida e verificada. É, no fundo, e em última análise, um exercício de cidadania.
Como refere João Carlos Correia, da Universidade da Beira Interior, que se dedica a estudar estes fenómenos, a literacia mediática é uma forma de educação para a liberdade. Ajuda-nos a entender os media como parte da sociedade civil e a participar, de forma informada, no espaço público. Mas, como lembra Paula Cristina Lopes, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, literacia mediática não garante, por si só, uma cidadania ativa.
É condição necessária, mas não suficiente. Exige também contextos de participação, confiança nas instituições e vontade de intervir.
É aqui que, creio, entra a imprensa regional. Nenhum outro meio está tão próximo das pessoas, das suas preocupações e das suas realidades. Cabe-lhe, por isso, o papel essencial de promover a literacia mediática através do exemplo. Com rigor. Transparência. Contraditório. E linguagem clara. A imprensa regional pode e deve ser um espaço de aprendizagem cívica, ajudando os leitores a interpretar a informação e a questionar criticamente o que leem, veem e partilham.
Num tempo em que a desinformação se propaga com facilidade e a confiança nas instituições parece vacilar, investir na literacia mediática é investir na Democracia. E a imprensa regional, pela sua credibilidade e proximidade, tem aqui a missão insubstituível de ensinar, pelo exemplo, que a liberdade de pensar começa na liberdade de compreender.
Não deixemos que a falta de literacia mediática nos torne reféns da desinformação. Cabe-nos a todos, jornalistas, leitores e cidadãos, fazer deste compromisso uma prática diária.
Todos.