Projeções ficam limitadas ao cinema ‘indie’ no CCC, cuja atividade está a aumentar
O cinema comercial deixou de ser projetado nas Caldas da Rainha com o encerramento das salas do centro comercial La Vie, na sequência do término do contrato de exploração com a Cineplace. Enquanto se aguarda a eventual entrada de um novo operador privado no centro comercial, mantém-se apenas a oferta alternativa e cultural assegurada pelo CCC. A Câmara diz estar a acompanhar a situação.
A administração do La Vie confirmou o encerramento das salas de cinema do centro comercial. O atual modelo de negócio da exibição cinematográfica exige “a garantia de números mínimos de afluência de espectadores”, explicou, uma condição que se tornou “muito difícil de atingir de forma consistente nos últimos anos”, razão apontada pelo operador para o Plano Especial de Revitalização (PER) apresentado em 2025.
A administração do centro comercial lamenta o encerramento, enquadrando-o num contexto mais vasto de dificuldades do setor. Este é “mais um encerramento a somar aos diversos casos ocorridos em 2025”, nota, sublinhando que a alteração dos hábitos de consumo e o crescimento das plataformas de streaming têm tido um impacto direto na exibição cinematográfica. Apesar disso, o La Vie agradece à Cineplace a colaboração ao longo dos anos e garante que está a estudar “novas soluções e conceitos” para o espaço, reafirmando o compromisso de contribuir para a dinamização da cidade e da região.
Na sequência do encerramento, o presidente da Câmara das Caldas da Rainha, Vítor Marques, salienta que o cinema é “uma oferta cultural relevante para a população do concelho e para a Região Oeste” e que tem acompanhado o processo “com particular interesse, junto da administração do espaço, desde outubro de 2025”. Ainda assim, o autarca ressalva que se trata de uma oferta privada, não tendo o município qualquer intervenção na operação ou gestão do cinema do La Vie.
O presidente da Câmara recorda que o concelho dispõe de uma programação regular de cinema no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha (CCC), vocacionada para o cinema de autor e pensada como complemento à oferta de cinema comercial existente na região, com o objetivo de contribuir para a formação de novos públicos. Vítor Marques adianta ainda que é do seu conhecimento que a administração do La Vie “está à procura de um novo operador para retomar a exploração do serviço”.
Mais cinema no CCC
Enquanto o cinema comercial encerra, no CCC a programação cinematográfica tem vindo a crescer de forma consistente. O diretor do CCC, Mário Branquinho, destaca o incremento registado nos últimos três anos, com sessões regulares de cinema do chamado “circuito alternativo”, atividades de mediação e uma adesão significativa do público. O responsável sublinha a importância do investimento em equipamento de projeção DCP, que melhorou a qualidade das exibições, e a consolidação do cineclube, atualmente inscrito na Federação Portuguesa de Cineclubes.
Filmes como “Palácio dos Cidadãos”, do realizador caldense Rui Pires, ou “Justa”, de Teresa Villaverde, com a participação da atriz caldense Madalena Cunha, mobilizaram centenas de espectadores, incluindo público escolar, com várias sessões esgotadas. O CCC tem também apostado em encontros com realizadores, extensões de festivais, sessões de cinema ao ar livre e iniciativas descentralizadas nas freguesias, procurando democratizar o acesso à cultura cinematográfica.
Em termos globais, o CCC registou cerca de 15 mil espectadores nos últimos quatro anos, com um pico em 2024, ano em que contabilizou 6.200 entradas. Para Mário Branquinho, estes números demonstram que o centro cultural “tem vindo a promover uma cultura cinematográfica relevante, oferecendo um espaço democrático de formação, reflexão crítica e socialização”, numa lógica distinta da exploração comercial, mas cada vez mais relevante no contexto cultural local.