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Inspeção Geral das Finanças determina extinção da empresa Cister Equipamentos

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Inspeção Geral das Finanças determina extinção da empresa Cister Equipamentos
Pavilhão de Évora de Alcobaça está pronto há vários anos, mas nunca foi utilizado

Fim da sociedade anónima que resultou da parceria público-privada com a MRG, determinada pela IGF, abre caminho a que a Câmara Municipal de Alcobaça possa resolver o problema da posse dos centros escolares de Alcobaça e Benedita e do pavilhão de Évora de Alcobaça, sendo que este que continua por abrir

A Inspeção-Geral de Finanças (IGF) determinou a extinção da Cister – Equipamentos Educativos, SA, dando assim cumprimento ao relatório da auditoria que a entidade tinha apresentado em Novembro do ano passado e que alertava para a situação de insolvência da empresa que foi constituída na parceria público-privada (PPP) entre a Câmara Municipal de Alcobaça e a MRG – Engineering & Solutions, SA.
O aviso publicado no Portal da Justiça, a 29 de Julho, salienta que este processo de dissolução resulta do incumprimento, pela Câmara Municipal de Alcobaça, da “obrigação de alienar a sua participação no capital” da sociedade.
Esta decisão vem ao encontro do que era preconizado pela autarquia, que fica, deste modo, com caminho livre para partir para a negociação da aquisição dos centros escolares de Alcobaça e Benedita e do pavilhão de Évora (este último, que nunca abriu portas) junto da Caixa Geral de Depósitos, o principal credor da empresa.
A Câmara de Alcobaça tem 49% do capital social da Cister Equipamentos, com a MRG a deter 51%. As obras avançaram e foram inauguradas, mas em 2013 o Tribunal de Contas recusou o visto à Câmara de Alcobaça para o pagamento das rendas daqueles equipamentos à sociedade anónima, a autarquia entrou em incumprimento. Em consequência, a Cister – Equipamentos Educativos SA não pôde fazer face à dívida com a Caixa Geral de Depósitos relativa ao empréstimo contraído para as obras.
Esta situação já levou, de resto, à penhora do direito de superfície do Centro Escolar de Alcobaça por dívidas da Cister Equipamentos Educativos, SA à Autoridade Tributária.
E, num processo mais vasto, o Ministério Público decidiu deduzir acusação contra o vice-presidente da Câmara de Alcobaça, Hermínio Rodrigues, que também é presidente do conselho de administração da sociedade anónima, bem como Eduardo Nogueira, que foi assessor do ex-presidente da Câmara, Gonçalves Sapinho, e que agora é deputado municipal do CDS-PP. Ambos são acusados do do crime de prevaricação de titular de cargo político.
Segundo os últimos dados conhecidos, a Câmara terá uma dívida a rondar os 39 milhões de euros à Caixa, com juros, além de 2 milhões de euros ao Fisco e 1,6 milhões de euros à parceiro MRG. Para precaver o impacto nas contas, o executivo de Paulo Inácio tem vindo a alocar recursos financeiros numa conta específica, havendo uma verba a rondar os 18 milhões de euros para pagamento da dívida. Como aquela verba é insuficiente, será necessário garantir um empréstimo bancário.

OPOSIÇÃO APLAUDE

A decisão da IGF de dissolver a sociedade agrada à oposição.
Carlos Bonifácio, antigo vice-presidente da Câmara no mandato em que a PPP foi estabelecida e que agora é vereador do CDS-PP, considera mesmo que esta era “a única saída” para, mais tarde, a Câmara “poder ficar proprietária das escolas e do pavilhão”.
“Espero que a situação seja resolvida e não tenho dúvidas que a Câmara tem condições para suportar a dívida, através de um empréstimo”, considera o vereador, recordando que o processo foi desencadeado num período “em que não havia fundos comunitários para os centros escolares”.
Quem sempre mostrou oposição à PPP foi a CDU, única força política que votou contra a opção tomada pela maioria do PSD. Para o deputado municipal João Paulo Raimundo, chegou-se “finalmente a bom porto”. “Lamentamos o tempo exagerado que isto demorou, mas o fundamental, agora, é perceber como corre a negociação da dívida com a CGD”, frisa.
O vereador do PS, César Santos, lamenta que “tenha sido necessária a intervenção das instâncias nacionais” para resolver um problema que a Câmara “não conseguiu resolver numa década”. O socialista nota que “o facto de a Câmara não ser proprietária” dos edifícios “faz com que a manutenção dos centros escolares seja deficitária e que o pavilhão de Évora não abra”.

Câmara aguarda proposta sobre empréstimo

A Câmara Municipal de Alcobaça tem vindo a trabalhar com a Caixa Geral de Depósitos no sentido de “se encontrar uma solução” para a aquisição dos centros escolares e do pavilhão de Évora, aguardando uma proposta formal do banco do Estado. “A decisão da IGF resulta de um estudo de há dois anos, sobre o qual começámos a trabalhar de imediato. Acreditamos que seja possível chegar a acordo com os privados e, depois, podemos fechar este dossier”, explicou à Gazeta das Caldas Hermínio Rodrigues, vice-presidente da Câmara e presidente do Conselho de Administração da Cister – Equipamentos Educativos SA, em representação do município.

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