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Discussão do relatório da auditoria às contas da associação da Foz do Arelho novamente adiada

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Discussão do relatório da auditoria às contas da associação da Foz do Arelho novamente adiada
José Ferreira (tesoureiro), Fernando Sousa (presidente da Junta), Sandra Queiroz (secretária), José Bairradas (elemento da Assembleia de Freguesia e presidente da associação) e José Luís Quaresma (presidente da Assembleia de Freguesia)

A Assembleia de Freguesia fozense voltou a adiar (desta vez para 26 de Julho) a discussão do relatório da auditoria feita à Associação de Desenvolvimento da Foz do Arelho. José Bairradas, que é, simultaneamente, presidente da associação auditada e membro da Assembleia de Freguesia (eleito no mesmo movimento independente de Fernando Sousa) apresentou uma manobra dilatória para evitar o debate, argumentando que pedira esclarecimentos ao Ministério Público que ainda não foram prestados.

A auditoria feita à Associação de Desenvolvimento da Foz do Arelho data de Novembro de 2018, mas oito meses depois ainda não foi debatida pelo órgão que a mandou fazer e a pagou – a própria Assembleia de Freguesia. Os seus elementos até já têm cópias e conhecem o seu teor, mas tem havido pruridos em discutir o documento por se tratar de uma entidade privada, embora, na prática, seja gerida por autarcas e constitua uma “segunda Junta de Freguesia” pois assegura serviços que deveriam ser prestados pelo órgão autárquico de base.
Em Março, quando o relatório foi entregue ao presidente da Assembleia de Freguesia, José Luís Quaresma (CDS/PP), este decidiu não o submeter ao escrutínio dos eleitos e pedir um parecer à DGAL (Direcção Geral das Autarquias Locais) sobre a legitimidade de tal discussão, dado que a Associação Para o Desenvolvimento da Foz do Arelho é uma entidade privada.
Em sintonia esteve o agora presidente da associação, José Bairradas (eleito pelo MIFA – Movimento Independente da Foz do Arelho), que também procurou evitar a discussão alegando que a entidade a que preside tem autonomia jurídica.
Passaram-se quatro meses e o parecer da CCDR diz que o relatório pode ser debatido na Assembleia de Freguesia, mas José Bairradas voltou a insistir que não e diz agora que é necessário esperar por uma resposta do Ministério Público a um seu pedido de esclarecimento sobre o assunto.
Nesta posição teve contra si todos os membros da Assembleia, inclusive o seu presidente, José Luís Quaresma, que agora já é de opinião que se deve discutir o relatório. O próprio presidente do executivo, Fernando Sousa, e principal visado no relatório, também desafiou os deputados a discutirem isto de uma vez por todas e até a mandá-lo para o Ministério Público, demonstrando que não tem medo nenhum em ser investigado.
Henrique Correia, do PSD, acusou José Bairradas de bloquear esta questão e sublinhou que este, enquanto presidente da associação e membro da Assembleia de Freguesia, está numa situação de conflito.
O mesmo deputado perguntou a José Luís Quaresma se já tinha entregue ao Ministério Público o segundo relatório às contas da Junta de Freguesia, tal como foi deliberado por unanimidade pela Assembleia, mas este respondeu que ainda não porque estava à espera de decisões em relação ao relatório da associação. Assumiu que estava “em falta” perante aquele órgão e prometeu que durante esta semana iria entregar o relatório ao tribunal.

 

DINHEIRO QUE ENTRAVA E SAÍA

O relatório às contas da Associação Para o Desenvolvimento da Foz do Arelho, assinado por Filipe Mateus, revela um padrão de comportamento, em termos de irregularidades, igual ao da Junta: dinheiro que entrava e saía sem ser registado, bem como pagamentos efectuados sem que haja documentos comprovativos.
O documento refere que “a diferença entre o total das verbas contabilizadas na Junta de Freguesia e as verbas contabilizadas na associação, provenientes de transferências [bancárias, em dinheiro ou em cheques] é de 18.349,25 euros”. Diz ainda que Fernando Sousa deverá repôr à associação 6.128,91 euros correspondente à emissão de cheques que não estão suportados em documentos justificativos e que, pelas mesmas razões, Maria dos Anjos (que era administrativa da Junta de Freguesia e membro eleita do mesmo órgão) deverá repôr 3.884,54 euros.
No período em análise, entre Outubro de 2015 e Setembro de 2017, Fernando Sousa foi, simultaneamente, presidente da Junta de Freguesia e presidente da associação, no que é considerado pelo auditor como “um conflito de interesses”.
As conclusões da auditoria dizem que “as situações detectadas revelam uma má gestão dos dinheiros públicos e indicia práticas contabilísticas criativas”.

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