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São o motor do crescimento da economia e da criação de emprego

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São o motor do crescimento da economia e da criação de emprego
“As PME dinamizam e são a raiz, o motor e o músculo da economia do país”, diz o primeiro-ministro

“Em 10 anos nunca tínhamos tido um nível tão elevado de premiadas como neste ano – em 2015, já com os critérios atuais, eram 1.509 e este ano são mais 60%”, destaca o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, explicando: “Tínhamos muitas empresas com qualidade, de gestão excelente, que estavam à espera de traduzir essas mais valias em resultados económicos e financeiros, uma situação que vemos agora materializada”. Em Portugal há quase 400 mil pequenas e médias empresas. As que receberam o estatuto PME-E 2018 representam menos de 1% do total

Gazeta das Caldas - PME
Pedro Siza Vieira, ministro da Economia
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Nadim Habib foi o conferencista da cerimónia

Em Portugal há quase 400 mil pequenas e médias empresas. As que receberam o estatuto PME-E 2018 representam menos de 1% do total. “São as verdadeiramente excelentes. Distinguem-se ao nível da sua autonomia financeira, rentabilidade e atividade, porque apresentam critérios objetivos que as diferenciam no universo das empresas portuguesas”, considera o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira.
Por isso, receberam este estatuto de qualificação empresarial, que premeia o mérito das PME com perfis de desempenho superiores, conferindo-lhes notoriedade junto do mercado e acesso facilitado a financiadores e a soluções de crédito ajustadas ao seu tipo investimento.
“Quando as felicitamos, felicitamos a qualidade da sua gestão, dos empresários, dos profissionais nelas envolvidos, pela forma como conseguem mobilizar o melhor das respetivas organizações e trabalhadores”, adiantou o governante durante a cerimónia de entrega dos galardões.
“Em 10 anos nunca tínhamos tido um nível tão elevado de premiadas como neste ano – em 2015, já com os critérios atuais, eram 1.509 e este ano são mais 60%”, destacou Pedro Siza Vieira, explicando: “Tínhamos muitas empresas com qualidade, de gestão excelente, que estavam à espera de traduzir essas mais valias em resultados económicos e financeiros, uma situação que vemos agora materializada”.
No entanto, na perspetiva do ministro da Economia, “há outros fatores. Como os de contexto, que ajudam a explicar por que temos hoje este número de PME-E, que correspondem também a uma mudança na estrutura empresarial portuguesa no seu conjunto”.
“No ano passado, a autonomia financeira das empresas portuguesas correspondeu a 38%, o valor mais elevado de sempre e reduziu-se o endividamento das não financeiras muito consideravelmente, ao mesmo tempo que o esforço de investimento continuou a ocorrer”, explicou o governante.
“É graças ao esforço, investimento e à determinação destas empresas que temos conseguido que a economia cresça e gere emprego”, realçou o primeiro-ministro, António Costa, frisando que “este crescimento garantiu a criação de 350 mil novos postos de trabalho nos últimos três anos”.
Esta mudança “só foi possível porque há duas condições essenciais, que têm contribuído para o crescimento: em primeiro lugar, o investimento privado; em segundo lugar, o aumento das exportações. Estes dois fatores têm sido fruto sobretudo do grande trabalho das PME”, adiantou o primeiro-ministro, destacando que “a realidade efetiva da economia portuguesa assenta num tecido muito sólido de PME, que dinamizam e são a raiz, o motor e o músculo da economia do país. É por isso que o prémio é da maior importância, porque valoriza as empresas que fazem crescer a economia”.
Para se manter esta tendência, “é fundamental o trabalho das PME e temos de dar-lhes boas condições para que possam prossegui-lo”, até porque “as PME-E significam que há boas razões para confiar no tecido empresarial, na sua capacidade de investir, produzir e gerir, na sua capacidade de exportar e criar emprego”.
O docente da Nova School of Business and Economics, Nadim Habib, foi o conferencista da cerimónia de entrega das distinções PME Excelência 2018. Sob o lema “Vencer num mundo em mudança”, procurou responder a questões como: as PME estão ou não preparadas para os novos desafios e para as rápidas transformações a que estamos a assistir? Existe uma fórmula para ser bem sucedido nos negócios?
Neste contexto, destacou que há quatro maneiras de aumentar a produtividade, a primeira das quais, “a mais simples e, provavelmente, a mais básica, é reduzir os custos; o que acontece muito nas economias menos desenvolvidas cortando no valor dos salários ou exigindo aos funcionários que trabalhem muito acima do contratado [mais horas por dia]”.
Mas, alertou Nadim Habib, apostar em “salários baixos para gerar mais receitas, na expetativa que a conjuntura melhore no futuro, não é sustentável em qualquer economia”, até porque “hoje há uma população que recusa entrar neste jogo e ainda bem”.
A segunda maneira de melhorar a produtividade é olhar para as horas perdidas em tarefas que não acrescentam valor. É uma iniciativa com “muito trabalho pela frente e que exige um gestor um pouco mais sofisticado” do que no panorama anterior.
“Se queremos sair dos salários baixos e da produtividade baixa é a segunda opção que temos de começar a desenvolver como gestores. Este segundo nível é mais complexo, mas está a ser implementado em muitas organizações”, destacou o docente da Nova School of Business and Economics.
A terceira fórmula é aumentar o valor do bem produzido ou do serviço prestado. Este objetivo consegue-se através do aumento dos preços e mais vendas. Neste caso, salienta Nadim Habib, “exige-se um gestor ainda mais sofisticado; na construção de marcas, na internacionalização, e mudar muito a forma como se abordam estes temas, o que não é fácil de fazer”. É necessária uma equipa e uma gestão mais sofisticadas, mas é o caminho a seguir para garantir a sustentabilidade de uma organização.
A quarta medida corresponde a repensar a lógica de produção, para produzir valor acrescentado, no âmbito da transformação digital. Mas, em Portugal, alertou o docente, “muitos gestores, mesmo sabendo que este é o caminho a seguir, teimam em não implementar estas práticas”.
“É um desafio difícil, porque o mundo está a mudar estruturalmente e profundamente em duas áreas. A primeira e provavelmente a mais dolorosa, é que temos uma população muito mais qualificada, com enormes vantagens em termos de mão de obra, mas também enormes desafios de gestão de talento, e o cliente está muito mais sofisticado”, explicou Nadim Habib.
“Nunca vimos clientes com tanta sofisticação como hoje e que estão a pôr enorme pressão sobre as organizações para que sejam muito mais rápidas a responder às suas exigências”, adiantou.
A segunda grande transformação é a digital, que “está a mudar a estrutura da concorrência”. “Dantes grandes empresas concorriam com grandes empresas, com base na estandardização e na escala, e pequenas empresas concorriam com as pequenas empresas, com base em personalização e diversidade. Entre os dois grupos não havia concorrência”.
Hoje, pelo contrário, segundo Nadim Habib, “um pequeno negócio ganha escala de forma a poder atacar os grandes negócios como nunca antes aconteceu e os grandes negócios podem ganhar na diversidade e atacar segmentos que antigamente eram reservados aos pequenos negócios. O que sentimos é muito mais intensidade de concorrência”.
“Os clientes são muito mais exigentes, a concorrência muito mais dura e por isso o ciclo de alteração de uma lógica de gestão assente em salários baixos e valor para o cliente agora acelera. Por isso, muitas organizações vivem uma turbulência profunda, sentem que o mundo está a mudar depressa demais”, concluiu o docente da Nova School of Business and Economics, alertando que em Portugal “há muita gente que não gere, limitando-se a reagir ao que acontece à sua volta”, o que não constitui uma boa estratégia para “Vencer num mundo em mudança”.

Gazeta das Caldas

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