Início Sociedade Ministro do Ambiente mostra abertura para as câmaras assumirem dragagem permanente da Lagoa de Óbidos

Ministro do Ambiente mostra abertura para as câmaras assumirem dragagem permanente da Lagoa de Óbidos

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O Ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, mostrou abertura para que, após a segunda fase das dragagens na Lagoa de Óbidos, os municípios das Caldas e de Óbidos comprem uma draga, com o apoio financeiro do Estado, para manter uma intervenção permanente naquele sistema lagunar. O governante esteve na Foz do Arelho a 5 de Fevereiro para lançar o concurso para as dragagens nos braços da Barrosa e do Bom Sucesso.

 

“As autarquias de Caldas e de Óbidos demonstraram disponibilidade para, uma vez concluída esta empreitada, participarem na actividade continuada de dragagem da Lagoa de Óbidos e nós vemos essa disponibilidade com muito bons olhos, continuando nós a financiar uma boa parte dessa intervenção e disponibilizando apoio técnico”, referiu João Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Transição Energética. O governante falava na cerimónia de lançamento da já anunciada segunda fase das dragagens, que irá custar 16 milhões de euros (co-financiados em 85% através de fundos comunitários sendo o restante assegurado pela Agência Portuguesa do Ambiente).
Se tudo correr conforme previsto, a empreitada deverá começar dentro de seis meses e ter uma duração de 18 meses, retirando 875 mil metros cúbicos de areia.

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Humberto Marques, presidente da Câmara de Óbidos, pediu ao ministro para revisitar as obras da primeira fase porque se vê um “grande assoreamento dos canais abertos em 2015” e porque teme que se corram “sérios riscos de estar a fazer um investimento grande no corpo superior e estar a quebrar a hidrodinâmica da Lagoa levando ao assoreamento do corpo inferior”.
O autarca lembrou que as populações defenderam sempre que a obra deveria começar no corpo superior e só depois no inferior (o que não aconteceu) e que as duas fases deveriam ser praticamente consecutivas, o que não se verificou. E discorda de quem critica o alto investimento feito na Lagoa. Em 20 anos gastaram-se 20 milhões de euros, ou seja, um milhão por ano. Mas nessas críticas não se tem em conta o Valor Acrescentado Bruto que a Lagoa gera e que segundo o edil ronda os 20 milhões de euros por ano.
O autarca obidense pediu ao ministro para manter a comissão de acompanhamento, que Nuno Lacasta, presidente da APA, descreveu como “um mecanismo indispensável que pode ser um exemplo no país”.
Este último comprometeu-se a accionar todos os meios legais (incluindo compensações financeiras) para ajudar os mariscadores e pescadores, caso estes sejam impedidos de exercer a sua actividade durante os trabalhos.
Questionado pela Gazeta das Caldas acerca da demora entre a primeira e a segunda fase das dragagens, Nuno Lacasta referiu a dificuldade em encontrar uma solução para os dragados. “Escolhemos um local, mas tinha um pomar e era um problema, depois pensámos em depositar nas pedreiras, mas não tinha condições”, revelou. A solução encontrada foi depositar os sedimentos (de grau 1 e 2, ou seja, “banais”, segundo o ministro) no mar, para que este os leve para a costa e reforce o areal entre o Gronho e Peniche.
O Ministro do Ambiente garantiu que a Comissão de Acompanhamento se irá manter.
O presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira, fez uma intervenção curiosa baseada numa pesquisa que elencou as intervenções públicas sobre a Lagoa de Óbidos desde o início do séc. XIX.

Pescadores e mariscadores mostram preocupações

Antes do lançamento do concurso, a Associação de Pescadores e Mariscadores Amigos da Lagoa de Óbidos entregou uma lista de perguntas ao ministro onde questionavam se podiam continuar a trabalhar durante as dragagens e que medidas estão previstas caso sejam obrigados a suspender os trabalhos.
A associação perguntou ainda sobre a existência de estudos acerca dos impactos da dragagem nos bivalves, a calendarização da intervenção e quais os planos do Estado para acabar com o problema das águas residuais que entram na Lagoa por insuficiência das estações de tratamento e de descargas ilegais, especialmente no Rio da Cal.

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